Professoras e professores!!!
A literatura infantil é uma das primeiras janelas pelas quais a criança observa o mundo e também um dos primeiros espelhos onde ela busca se reconhecer. Por isso, trabalhar livros infantis com intencionalidade antirracista é essencial para construir ambientes educativos mais justos, afetivos e inclusivos, onde todas as crianças se sintam vistas e representadas.
Historicamente, a produção literária para crianças no Brasil foi marcada pela predominância de referências eurocêntricas. Isto é, personagens negros, quando apareciam, eram raros, secundários ou representados de forma estereotipada. Esse apagamento simbólico tem efeitos profundos: compromete a construção da identidade de crianças negras e reforça no imaginário coletivo a centralidade do branco como único protagonista.
Com a ampliação do debate sobre relações étnico-raciais e marcos legais como a Lei 10.639/2003, cresce a compreensão de que a literatura infantil deve refletir a diversidade real da sociedade brasileira. Porém, ainda há desafios: muitos acervos escolares possuem poucos livros com personagens negros, e quando esses aparecem, nem sempre são representados de forma rica ou valorizadora.
Diante disso, o professor se torna uma figura-chave. Seu papel não é apenas selecionar livros, mas mediar leituras que valorizem identidades, discutam preconceitos e ampliem repertórios culturais. Livros com representatividade negra de qualidade possibilitam que crianças negras também se vejam de maneira positiva (belas, inteligentes, protagonistas) enquanto toda a turma aprende a reconhecer, valorizar e respeitar outras formas de existir.
Esse trabalho também favorece o desenvolvimento do letramento racial: a capacidade de perceber, compreender e questionar desigualdades raciais desde cedo. Ao incluir obras que abordam identidade, ancestralidade e protagonismo negro, o professor contribui para formar leitores mais sensíveis, críticos e preparados para conviver em uma sociedade plural.
Promover uma prática pedagógica antirracista por meio da literatura infantil não é uma ação pontual, mas contínua. Exige olhar atento ao acervo, escolhas criteriosas e diálogo constante com as crianças. Quando o livro abre espaço para múltiplas vozes e histórias, a escola se transforma e transforma quem nela habita.
Mas, como montar esse acervo?
A organização de um acervo de literatura infantil que colabore com práticas antirracistas pode ser orientada pelos três pilares apresentados pela escritora Sinara Rubia, em diálogo sobre literatura infantojuvenil afro-brasileira. Esses pilares são:
- Identidade – refere-se a obras que valorizam a identidade e a corporeidade negra, apresentando a estética negra de forma positiva e fortalecedora.
- Ancestralidade – engloba livros que abordam cosmovisões africanas e afro-brasileiras, promovendo a compreensão de tradições, histórias e formas de perceber o mundo que compõem a herança cultural negra.
- Representatividade – inclui narrativas que retratam situações cotidianas protagonizadas por personagens negros, ampliando a presença e a centralidade desses sujeitos em diferentes contextos.
Sinara Rubia destaca que a literatura infantojuvenil negra ainda está em construção como conceito, sendo entendida a partir da voz e do protagonismo de pessoas negras. Essa produção literária cumpre a função de apresentar representações positivas da população negra, valorizando suas trajetórias, experiências e modos de vida. Além disso, configura-se como ferramenta fundamental para o desenvolvimento do letramento racial crítico, contribuindo diretamente para práticas pedagógicas comprometidas com uma educação antirracista.
O dia 20 de novembro, marcado pela memória de Zumbi dos Palmares, simboliza a resistência e a luta da população negra no Brasil, lembrando-nos da importância de promover diariamente a igualdade racial.
Segue uma indicação de leitura:

Livro: Zum Zum Zumbi: História do Zumbi dos Palmares para crianças



Gilceane Siqueira Velozo Ricardo
A literatura é muito importante para os alunos, pois através dela conseguimos trabalhar o senso crítico, a imaginação, a importância da impatia e os valores. De uma forma lúdico e simples ( pois a linguagem é clara e de fácil entendimento ).
Adriana de Araújo Franco Padilha
Trabalhar e despertar a CONSCIÊNCIA de valores num mundo onde a precariedade da EMPATIA é gritante, com certeza contribuiria para a formação de pessoas melhores que tornariam um mundo mais cheio de AMOR 😍
CHARLENE SINARA CUNHA DO NASCIMENTO
O Dia da Consciência Negra é um momento de reflexão, respeito e valorização da história, da cultura e das contribuições do povo negro na formação da nossa sociedade. A data, marcada em 20 de novembro, homenageia Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência contra a escravidão e da luta por liberdade, justiça e igualdade no Brasil.
Mais do que lembrar o passado, essa data nos convida a olhar para o presente e reconhecer os desafios que ainda persistem na luta contra o racismo, a desigualdade e a exclusão social. É um convite para promover o respeito às diferenças, a equidade e o protagonismo da população negra em todos os espaços.
Na escola, é essencial que esse tema seja abordado de forma contínua, por meio de projetos, debates, leituras, músicas, artes e valorização das identidades afro-brasileiras. Educar para a diversidade é construir um futuro mais justo, onde todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas.
Que o Dia da Consciência Negra nos inspire a sermos agentes de transformação, promovendo uma sociedade mais inclusiva, plural e antirracista.
Vanea Regina da Silva Marcolino
O maior presente que podemos dar é o amor pelos livros. Não se trata de obrigação, mas de criar momentos de conexão, imaginação e aprendizado!